Estudos

Opinião: Rui Proença

 

Tudo está a mudar nas relações de trabalho. Da criação de condições que promovam a motivação das pessoas ao conceito de sucesso. Pelo caminho altera-se o paradigma da remuneração. A empresa é cada vez mais uma segunda casa onde se partilha tempo, percurso e objetivos comuns. Indissociável da vida dos trabalhadores e das suas famílias, da sociedade e do meio ambiente, a empresa representa uma nova dimensão de relações baseadas num posicionamento de exigência, elevado grau de responsabilidade e genuína cumplicidade. Neste contexto, o que decidimos e implementamos deixa de ser indiferente. O ponto de partida é o de que é necessário criar um novo quadro de valores para as relações sociais, a começar pelo mundo do trabalho. Substituindo a crença unidirecional, onde o indivíduo vende uma parte da sua força de trabalho por um salário, por outra, moderna, onde os valores de compromisso e eficiência conduzam uma ética de comprometimento social. O que nos separa desse futuro é, por um lado, a implementação dos instrumentos que vão construir um sentimento renovado de pertença de cada cidadão ao organismo onde trabalha. – Assim serão as empresas do futuro! – Por outro, um contexto de gestão e liderança fortemente apoiado na ética empresarial e no compromisso mútuo. É a pensar nesse futuro, condicionado pela circunstância de que a motivação é endógena e intrínseca a cada ser humano – ao líder compete tão-somente a criação de um quadro favorável à ocorrência de tal estado anímico –, que relevo um conceito de liderança substantivo, capaz de permanentemente fazer lembrar a todos que cada decisão e cada ação individuais determinam o todo. Na realidade, que o contributo individual não é indiferente para o resultado final coletivo. Neste quadro de «responsabilização positiva» definem-se os contornos da «liderança pelo exemplo». Não será então válido recordar que efetivamente somos 100% responsáveis por 50% das nossas relações: familiares, sociais, profissionais, com o meio ambiente? A principal missão do líder moderno pode ser a de pôr em prática, e praticar (!), esse princípio.

Rui Proença é diretor geral da Edenred Portugal

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